Cristão sim, religioso não **Por: Pr. Adriano dos Santos Miranda – Diretor de educação da INSJC **
December 2nd, 2009Cristão sim, religioso não
De todas as dificuldades enfrentadas pela igreja nos dias atuais, talvez a maior delas seja a falta de congruência entre o que ela crê e o que pratica. Há um hiato entre os credos e a prática cristã. É lamentável, mas é a realidade, nossas igrejas estão mais cheias de religiosos do que de cristãos genuínos. São pessoas que vão ao culto aos domingos, participam até mesmo de reuniões de oração, cantam, batem palmas, fazem lindas orações, chegam até mesmo a participarem da Ceia do Senhor, dão ofertas e assim como o fariseu, jejuam duas vezes por semana e dão o dízimo de tudo; porém, as suas vidas não dão testemunho da presença de Deus. São pessoas que aos domingos demonstram ser crentes, mas durante a semana vivem como se não fossem, pois fazem as mesmas coisas pecaminosas que as pessoas do mundo fazem.
O religioso normalmente se orgulha de pertencer a uma determinada organização ou denominação, gosta de oportunidades ou dos melhores lugares; são zelosos pelos os usos e costumes e até mesmo os confundem com doutrina, pensam que apenas um estilo de música serve para louvar a Deus; gostam de ouvir sermões que engrandece o ego, que agrada aos ouvidos, sem necessariamente, enfatizar o real compromisso com o Reino de Deus. Vive apenas de aparência. Esta é a maior contradição na vida de um religioso, pois uma coisa é o que ele demonstra ser e outra o que ele é realmente. Essas pessoas, nas palavras de Jesus: são como sepulcros caiados, bonitos por fora, isto é, preenche todos os requisitos de um bom religioso, mas por dentro estão podres, cheios de hipocrisias, de maldade e de toda a imundícia (Mt 23.27). Tiago em sua carta adverte sobre o perigo da falsa religiosidade. Para ele, a verdadeira religião está em fazer a vontade de Deus. “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo” (Tg 1.26). O grande problema do religioso é que ele pensa ser um verdadeiro cristão, pensa que está agradando a Deus, mas não percebem o quanto estão enganados. Daí a necessidade de levarmos a sério a exortação de Tiago a respeito de não sermos apenas ouvintes mas praticantes da Palavra Deus: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (Tg 1.22).
Por outro lado, o cristão genuíno é o verdadeiro discípulo de Cristo. Como discípulo, ele se identifica com seu mestre. Identifica-se no amor, ao tomar a cruz e segui-lo, na fé, na humildade e na santidade. O religioso vive apenas de aparência; mas o verdadeiro cristão pelas suas atitudes dá testemunho de que Cristo está presente em sua vida. É um verdadeiro imitador de Cristo. Preocupa-se mais com o Reino de Deus e a sua causa, do que com o status religioso, como títulos, reconhecimentos, etc. Seu maior prazer está em fazer a vontade do Senhor, fazer com que o mundo conheça a Cristo através de sua vida. Ao invés de status, o verdadeiro cristão busca o relacionamento amoroso com os demais cristãos, e está sempre pronto a servir, “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo 13.35).
Que nós venhamos a nos despir de toda roupagem religiosa ou pseudo-cristã, e esvaziarmo-nos de todo eu, para que sejamos cheio de Cristo. O que a nossa sociedade precisa não é de religião, já existem muitas, o que de fato ela precisa são de pessoas que sejam recipientes da graça e do poder de Deus e que, abrindo mão de tudo o que é mundano, viva a simplicidade do evangelho. E assim serão luz para iluminar este mundo de trevas e sal para temperá-lo. Como cristãos, não podemos nos conformar com a trivialidade e a formalidade religiosas, mas em sermos verdadeiros imitadores de Cristo. Lembrem-se, Deus não busca religiosos, mas sim, verdadeiros adoradores. Saiamos da sombra da religiosidade para que a luz de Cristo brilhe em nossas vidas!
Pastor Adriano dos Santos Miranda – Diretor de educação da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo



December 17th, 2009 at 6:31 PM
Excelente artigo bispo Adriano. Esse tema, a religiosidade, já parecia “inquietar” Jesus no século I, mas infelizmente ainda é um tema muito atual. Recentemente ministrei uma palavra na igreja que falava do tema referido e citei o exemplo de madre Teresa de Calcutá, uma das maiores personalidades do século XX e grande exemplo de cristã, contudo passou mais da metade da vida sem sentir o amor e a presença de Jesus (segundo cartas escritas por ela própria), chegando quase a duvidar da existência de Deus e pior morreu nesse estado. Acaso não é o que acontece com muitos cristãos em nossas igrejas? Que Deus nos conceda sabedoria e real espiritualidade para vencer toda religiosidade em nosso meio para que a mesma não se constitua uma droga anestésica na Igreja de Cristo, porque nesse aspecto devo concordar com o filósofo alemão Karl Marx quando disse: “A religião é o ópio do povo”. Não precisamos de religião, precisamos de Jesus Cristo e relacionamento real com o Pai. Deus te abençoe querido.